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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Atividade Extra História 3º Ano (Prof. Glauber, 3º Bimestre) - Movimentos Sociais da 1ª República

Esta atividade só deve ser realizada pelos alunos que perderam a atividade em grupo realizadas entre os dias 12/09 e 23/09. A atividade NÃO substitui outras avaliações.

Atividade:

A pesquisa é livre e os alunos NÃO precisam entregar a pesquisa.

O fichamento deve ser feito em FOLHA SEPARADA (para entregar) e DEVE constar a fonte da pesquisa (endereço de sites, livros utilizados, etc).

Prazo de entrega: Até dia 30/09/16.

Grande Abraços e boa sorte.

Pesquisa e Fichamento dos seguintes temas:

A Guerra de Canudos.

A Guerra do Contestado.

O Cangaço.

A Revolta da Vacina.

A Revolta da Chibata.

A Greve de 1917.

A Semana de Arte Moderna de 1922.

A Coluna Prestes.


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

A Primeira República no Brasil (1889 - 1930) - Material de Estudo para os 3º Anos

A Primeira República do Brasil (1889 – 1930)

O Fim do Segundo Reinado
De Volta Do Paraguai: Charge publicada no jornal "A Vida Fluminanse", criticando o paradoxo vivido pelos escravos que lutaram na guerra.
Durante o reinado de D. Pedro II, a política imperial se destacava pelos partidos Liberal e Conservador. Embora os partidos fossem compostos por membros da elite agrícola brasileira, a visão a respeito do modelo de Estado era muito diferente, enquanto os conservadores queriam a centralização do poder nas mãos do rei, os liberais queriam maior autonomia das províncias. Ainda na segunda metade do século XIX, uma ala radical do Partido Liberal fundou o Partido Republicano, com intenções claras de acabar com o reinado no Brasil. Além da crise política que a criação desse partido gerou, outras crises foram definitivas para a queda final do imperador brasileiro.
Entre 1864 e 1870, o Brasil esteve envolvido em uma disputa pelo controle da Bacia do Prata, conhecida como Guerra do Paraguai. Após a vitória brasileira, os militares ganharam destaque nacional, porém, não ganharam reconhecimento político gerando conflitos entre os militares e o imperador. Além disso, como a maioria dos soldados brasileiros eram afrodescendentes, esperava-se que, como forma de reconhecimento, o imperador abolisse a escravidão, o que não aconteceu, aumentando ainda mais o descontentamento militar com D. Pedro II.
Em 1870, o Papa Pio IX proclamou que o papa era infalível e condenou o racionalismo, o materialismo e o ateísmo. Em 1872, seguindo as orientações papais, bispos brasileiros ordenaram a expulsão dos membros da maçonaria da comunidade católica. A questão gerou comoção no meio político e jurídico brasileiro que era composto em parte por maçons iniciando uma disputa entre o poder religioso e governamental no Brasil. A posição de D. Pedro II em favor da maçonaria desagradou a igreja, que apesar de ter reconsiderado a questão maçônica no Brasil, deixou de apoiar o governo imperial.
O império brasileiro procurava manter uma imagem de país “moderno” e “civilizado” para a comunidade internacional, todavia, o escravismo era uma evidência inegável de atraso social brasileiro, tanto que até mesmo o rei assumia ser o escravismo uma “vergonha nacional”. Porém, o principal apoio político do rei vinha dos conservadores escravocratas tornando o tema muito sensível ao reinado que pressionado pela Inglaterra e pelos setores liberais da elite brasileira iniciou uma abolição lenta e gradual. Em 13 de maio de 1888, pressionada pelas intenções comerciais inglesas, pelo crescente número das comunidades quilombolas e pelo aumento significativo do movimento abolicionista brasileiro, a princesa regente Isabel do Brasil assinou a Lei Áurea, libertado os escravos no Brasil. Com a escravidão abolida, a vitória republicana tornou-se questão de tempo.
Com a crise militar, os republicanos receberam o apoio de setores importantes do exército que chegou a criar o Clube Militar para conspirar contra o império. As crises religiosa e abolicionista acabaram com o apoio dos conservadores que passaram a fazer duras críticas ao imperador D. Pedro II. Assim, o movimento republicano/militar, liderado pelo Marechal Deodoro da Fonseca, se sentiu à vontade para derrubar o imperador proclamando a república em 15 de Novembro de 1889. É importante destacar que o processo de proclamação da república não teve participação popular significativa, mantendo as estruturas da elite intactas.

A República da Espada (1889 – 1894)

Marechal Deodoro da Fonseca

Marechal Floriano Peixoto

Os primeiros anos da república brasileira foram marcados por governos militares que fizeram uma transição do reinado para o poder dos civis. Como os dois primeiros presidentes do Brasil, Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, eram marechais, esse período ficou conhecido pelo nome de República das Espadas.
Após a proclamação da república, os partidos Conservador e Liberal cederam lugar aos partidos republicanos que representavam elites locais, o PRP (Partido Republicano Paulista), o PRM (Partido Republicano Mineiro) e o PRF (Partido Republicano Fluminense) exerceram papel de liderança durante todo o período da primeira república.
Inicialmente, o governo de Deodoro da Fonseca (1889-1891) deveria durar somente até a conclusão da nova constituição republicana e das eleições para colocar o poder republicano nas mãos civis, assim, o marechal estava a cargo de um Governo Provisório. Durante o mandato do primeiro presidente, as elites locais se fortaleceram conquistando maior autonomia (federalismo), no entanto, a má administração econômica e o conservadorismo de Deodoro levaram a crises econômicas, políticas e militares.
O ministro da fazenda, nomeado por Deodoro, Rui Barbosa procurou incentivar a criação de empresas industriais e comerciais no país. Para atingir seu objetivo, o ministro da fazenda permitiu a emissão de uma grande quantidade de papel moeda que seria usado para facilitar o crédito a todos que tivessem interesse em desenvolver a indústria e o comercio no Brasil. No entanto, a facilidade do crédito favoreceu o surgimento de inúmeras empresas fantasmas (que só existem no papel), cujas ações eram vendidas na bolsa de valores e se valorizavam sem nenhuma fiscalização do governo. Acreditando fazer um ótimo negócio, os investidores compravam essas ações baratas esperando revende-las no período de altas, assim, os falsos empresários duplicavam seus lucros, conseguindo os empréstimos com facilidade e tirando o dinheiro dos investidores sem investir em empresas reais. Além de não promover o avanço industrial no país, o papel moeda produzido sem lastro (valores em produtos e ouro que justifiquem o valor em papel) gerou uma grave desvalorização da moeda brasileira (Contos de Réis), afastaram os investidores que sofreram golpes, provocou a falência de empresas e bancos e esvaziaram os cofres públicos.
Entre 1890 e 1891, políticos de todo o país se reuniram para criar a primeira constituição republicana do Brasil. A constituição brasileira procurou referencias na constituição dos EUA defendendo ideais liberais. Entre os principais pontos dessa constituição estão:
      • O Brasil seria chamado de Estados Unidos do Brasil;
      • Federalismo (Autonomia para os Estados);
      • Voto: Homens, 21 anos, alfabetizados, aberto, sem necessidade de comprovação de renda;
      • Mandato presidencial de 4 anos sem direito a reeleição;
      • Separação entre Estado e Igreja (documentos oficiais de nascimento, casamento e óbito);
      • Eleições separadas entre o Presidente e o Vice-presidente;
      • Estabelece a existência dos 3 poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário).
O fracasso do encilhamento e a nomeação de conservadores e monarquistas para cargos ministeriais republicanos causaram uma crise política no Brasil onde o presidente passou a sofrer uma forte oposição do congresso. Sem liberdade para atuar como gostaria, Deodoro decide fechar o congresso no dia 3 de novembro de 1891, anunciando uma revisão da constituição. A ação autoritária do marechal irritou setores da elite nacional e da marinha brasileira que iniciou a primeira revolta da armada. Sob a liderança do almirante Custódio de Melo, os navios amotinados São Paulo e Minas Gerais, apontaram seus canhões para a cidade do Rio de Janeiro exigindo a renúncia de Deodoro ao cargo de presidente. Receando uma guerra civil, Deodoro renuncia em 23 de novembro de 1981, passando a presidência para seu vice, o também marechal, Floriano Peixoto.
Após a renúncia de Deodoro, Floriano buscou em seu governo (1891-1894) combater os estragos econômicos gerados pela política do encilhamento, buscou apoio popular reduzindo impostos sobre itens de primeira necessidade como alimentação e habitação e buscou o apoio dos cafeicultores paulistas através da distribuição de cargos ministeriais e públicos. Mesmo assim, Floriano teve que encarar uma forte oposição no congresso e entre os militares. A forma rigorosa com a qual Floriano lidava com seus inimigos políticos e militares rendeu a ele o apelido de “Marechal de Ferro”.
Discussões acerca de como a república deveria ser montada levaram a uma guerra civil no sul do país conhecida como Revolução Federalista (1893-1895). De um lado, os republicanos (pica-paus), que defendiam um poder forte e centralizado aos moldes do presidencialismo exercido por Floriano Peixoto. Do outro lado, os federalistas (maragatos), que defendiam o parlamentarismo no Brasil encerrando o presidencialismo. O movimento parlamentarista recebe o apoio da cidade catarinense de Desterro, onde Floriano prende os líderes e modifica o nome da cidade para Florianópolis. A revolução só chega ao fim em 1895, já durante o governo de Prudente de Moraes (1894 – 1898), quando o presidente civil consegue assinar um acordo de paz com os Federalistas.
Descontentes com a participação do exército brasileiro na política nacional, oficiais da marinha e grupos oligárquicos se rebelaram e, assim como na 1ª Revolta da Aramada, exigiram a renúncia do marechal Floriano ao cargo de presidente da república. Portanto, Floriano, munido do apoio dos cafeicultores paulistas, conseguiu dinheiro para comprar fragatas americanas e contratar mercenários que, ao chegar no Brasil, derrotam os marinheiros rebelados. A vitória sobre os marinheiros ajudou a consolidar a república no Brasil e o governo do marechal que exilou os oficiais insurgentes no Acre e fuzilou marinheiros que participaram da revolta. Esse episódio ficou conhecido como a 2ª Revolta da Armada.

A República das Oligarquias (1894 – 1930)

A Formula Democrática: Charge publicada em 1925 pelo jornal "Careta". A charge demonstra o poder de São Paulo e Minas Gerais sobre os rumos da presidência.

Oligarquia (poder exercido por poucos). Enquanto a república da espada se preocupava em conter os movimentos contrários ao modelo republicano adotado, a elite cafeicultora paulista se preparava para assumir o poder. Apoiado por Floriano Peixoto, o paulista Prudente de Moraes ganhou a primeira eleição direta do Brasil que foi carregada de grandes fraudes e manipulações políticas características do período oligárquico da república. Com o início do governo civil, começou também o período do Coronelismo.
O título de coronel surgiu ainda no período regencial e era dado a grandes fazendeiros que patrocinavam a Guarda Nacional. Esses fazendeiros eram responsáveis pela segurança das fazendas dentro da sua área de influência, rendendo poderes excepcionais a esses coronéis. Exercendo o poder local de fato, os coronéis, controlavam as eleições transformando suas áreas de influência em currais eleitorais. Após a constituição de 1891, que acabou com o voto censitário ($$$), a quantidade de eleitores cresceu muito, no entanto, vítimas da pobreza, esses eleitores eram facilmente manipulados pelos coronéis que acompanhavam as sessões de voto aberto. Entre as principais formas que os coronéis usavam para controlar o voto estão:
    • Violência: Os eleitores eram constantemente hostilizados pelos coronéis, e caso não cooperassem com o candidato, sofriam com espancamentos e até mesmo execuções de familiares.
    • Voto de Cabresto: Os coronéis ofereciam aos eleitores vários favores (alimentos, remédios, roupas, empregos, etc.) em troca do voto no candidato determinado.
    • Fraudes Eleitorais: Além da compra de votos (voto de cabresto), as fraudes eram muito comuns, votos de crianças, de pessoas inexistentes e até mesmo mortos eram computados como votantes válidos.
    • Manipulação de Urnas: Se mesmo depois das fraudes, das ameaças e do cabresto o coronel não estava seguro dos resultados, roubos de urnas, desaparecimento e multiplicação de votos também eram métodos usados pelos coronéis para garantir sua vitória na eleição.

A Política do Café Com Leite

Na busca por votos um pacto foi estabelecido pelos coronéis, governadores e candidatos à presidência da República. Enquanto os coronéis forneciam os votos para os governadores, os governadores forneciam os votos para os presidentes, em troca, os governadores recebiam apoio político do governo federal e uma relativa autonomia que garantia a permanência do controle das elites sobre o estado, já os coronéis recebiam uma grande quantidade de verbas e vários benefícios como a prioridade de obras estruturais próximas às fazendas de tais coronéis. Essa manipulação dos votos ficou conhecida como a Política dos Governadores.
A política dos governadores criou uma aliança entre presidentes, coronéis e governadores garantiu um domínio político dos estados com o maior número de coronéis e eleitores. São Paulo (maior produtor de café) e Minas Gerais (maior produtor de leite) criaram a política do café com leite, onde os candidatos representariam as políticas dos dois estados. Com o predomínio do Café, todas as políticas adotadas pelos presidentes visavam beneficiar essa parcela da elite brasileira, isso ficou muito claro com o Convênio de Taubaté. A cada ano o Brasil batia recordes de produção de café, chegando ao ponto da quantidade de café produzido ser maior que a quantidade de café consumido, assim, o preço do café caia a cada ano dando prejuízo aos cafeicultores. Reunidos em Taubaté no Estado de São Paulo, os cafeicultores assinaram um documento que sociabilizava as perdas, ou seja, repartia o prejuízo do café com os demais cidadãos. O Governo ficaria responsável por comprar, com o dinheiro dos impostos, a produção excedente, diminuindo a quantidade de café no mercado, aumentando o preço de café.

O “Boom” da Borracha

Nem só de café viveu a primeira república, outros produtos agrícolas eram exportados pelos coronéis brasileiros, principalmente o cacau e o açúcar. Porém, o único produto que chegou próximo de rivalizar com o café brasileiro no quesito exportação foi a borracha. A borracha já era extraída das seringueiras amazonenses desde a época do primeiro reinado, porém, foi só no século XX que ela chegou ao seu auge. Com o crescimento industrial europeu após a 2ª revolução industrial, a borracha passou a ser item essencial, pois era largamente utilizada em produtos (como nos automóveis) e no maquinário. Assim, o consumo de borracha subiu vertiginosamente e, obviamente, os preços enriquecendo os coronéis amazonenses que iniciaram a construção de uma belle époque amazônica. Entretanto, o sonho amazonense de superar o café paulista foi frustrado pela pirataria biológica promovida por holandeses e ingleses. Esses países conseguiram levar mudas para suas colônias na Ásia que passaram a ser os principais fornecedores de borracha para a Europa.

Imigração, Indústria e Urbanização

Mesmo antes da proclamação da república, o governo brasileiro buscou incentivar a imigração europeia para o Brasil. O objetivo era modernizar o país e branquear a população (acreditava-se que quanto mais branca a população, mais civilizado é o país). Assim, muitos europeus chegaram ao Brasil para trabalhar nas lavouras de café e na tímida industrialização empreendida no país. A maioria dos imigrantes vinham de países ainda majoritariamente agrários na Europa, como Espanha, Portugal e Itália. No início do século XX, também chegaram ao Brasil um grande número de japoneses e libaneses, diversificando a cultura brasileira, principalmente a paulista. A vida desses imigrantes nas fazendas não era fácil, os coronéis ainda acostumados com o trabalho escravo, tratavam esses imigrantes como tal. Em virtude disso, muitos deles abandonaram as fazendas e partiram para as cidades, em busca de melhores condições no trabalho industrial.
Apesar do fracasso da política do encilhamento, as indústrias cresceram no país, especialmente na cidade de São Paulo. Esse crescimento não previsto pelo governo oligárquico tem como principais motivos o excesso dos capitais gerados pelo café e os esforços da indústria europeia em se prepararem para a 1ª Guerra Mundial. De um lado, os barões do café haviam acumulado tantas riquezas que não sabiam mais no que investir, assim, redirecionaram seus capitais para o setor industrial, e como São Paulo era a capital do café, também se tornou a capital industrial do Brasil. Do outro lado, como as indústrias europeias se voltaram para as necessidades bélicas dos países em eminente guerra (e também durante ela), o ritmo de importações para o Brasil diminuiu muito, portanto, para substituir o mercado europeu, os cafeicultores recorreram a criações industriais próprias e aos EUA.

Com os investimentos do café na indústria e com os imigrantes fugindo dos abusos dos coronéis para as cidades, não havia possibilidade das principais cidades do país não crescerem, mesmo assim, somente na década de 1970 o Brasil passou a contabilizar uma população urbana maior que a população rural. O crescimento populacional urbano não foi acompanhado por políticas de planejamento, muito menos de habitação. Assim, essa massa migratória para cidade teve que recorrer principalmente a cortiços (casarões ocupados por várias famílias) e a bairros operários (bairros mal planejados que eram feitos para minimizar o tempo de viagem do trabalhador até a fábrica, assim, os trabalhadores poderiam fazer turnos maiores de trabalho).

domingo, 19 de junho de 2016

Prof Glauber: Atividade Extra (3º Ano)

Informações sobre a atividade:

  • O prazo máximo de entrega da atividade é 23/06/2016.
  • Não é necessário copiar as questões.
  • Resposta escritas a mão.
  • A atividade NÃO substitui a nota da prova (só com atestado)
  • Boa atividade!
1)      Identifique a alternativa incorreta e corrija-a. Entre as razões da Primeira Guerra Podemos citar:
a.       As rivalidades imperialistas como França X Alemanha.
b.      A política das alianças com a Tríplice Entente x Tríplice Aliança.
c.       A paz armada, onde as potências europeias suspenderam a fabricação de armas.
d.      O assassinato de Francisco Ferdinando.

2)      Leia o texto a seguir e responda ao que se pede.
“Por toda parte, eram criadas novas armas: nos EUA, os irmãos Maxim inventaram a primeira metralhadora moderna e explosivos realmente eficientes para torpedos e submarinos; na França, surgiram os cartuchos metálicos [...] e a espingarda Lebel, de tiro rápido e pólvora sem fumaça; os alemães, por seu lado, criaram o extraordinário fuzil Mauser dotado de carregador... o avanço de armas cada vez mais letais era linear e ininterrupto. Claro que, paralelamente ao desenvolvimento desses instrumentos da morte, cresciam os lucros, o tamanho e a influência dos então já poderosos monopólios industrial-militares: os Krupp, Armstrong, Schneider, Ansaldo e Skoda”.
Luiz César Rodrigues. A primeira Guerra Mundial: a grande guerra, a paz dos vencedores, os legados da guerra. São Paulo: Atual. 1985. p. 32.
a)      Qual o assunto principal do texto?
b)      Que relação o texto estabelece entre tecnologia de guerra e tecnologia?

sábado, 4 de junho de 2016

Prof.Glauber - A Primeira Guerra Mundial 1914 - 1918 (Material de Estudos para os Terceiros)

A Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918)


"Dança no Moulin Rouge"
por Henri de Touluse-Lautrec (França 1890).
Modo de vida burguês: Entre os anos finais do século XIX e o início do século XX os europeus passavam por uma grande onda de otimismo gerada pelos avanços científicos, tecnológicos e comerciais. Os capitais gerados pela exploração neocolonialista desenvolveram as indústrias e as cidades européias gerando um sentimento de euforia progressista e a consolidação dos valores e do modo de vida das elites européias. Esse período de prosperidade européia ficou conhecido como Belle Époque.
Tensões na Europa: Apesar do clima de otimismo, a Europa era um continente cheio de tensões que ameaçavam a paz entre as potências européias. As tensões foram geradas pela corrida imperialista do século XIX, que gerou e acirrou rivalidades existentes entre os países europeus.
A Guerra Franco-Prussiana (1870 – 1871): O chanceler alemão Otto Von Bismark (1815 – 1898) e seus generais consideravam que uma guerra com a França era o último passo para concluir a unificação alemã, uma vez que, a França impedia a união do norte da Alemanha com o sul. Portanto, o chanceler alemão se aproveitou da fragilidade política do imperador francês Napoleão III (1808 – 1873) e fomentou uma guerra entre os dois países. Sem forças, a França foi derrotada pelo Império alemão que além de concluir sua unificação, conquistou regiões francesas na fronteira com a Alemanha conhecidas como Alsácia-Lorena.
A Paz Armada: No período que compreende da guerra Franco-Prussiana (1871) à Primeira Guerra Mundial (1914-1918), houve uma relativa paz entre os países europeus, apesar da grande tensão existente. Entretanto, o período também foi marcado pela corrida armamentista, onde as potências imperialistas investiram pesado na indústria bélica (armas) e na formação de exércitos profissionais.

A Política das Alianças

Por meio de acordos econômicos, políticos e militares, as potências européias formaram alianças com o objetivo de isolar e combater seus rivais. Assim, foram criados dois blocos, a Tríplice Aliança e a Tríplice Entente.


Tríplice Aliança (ou Potências Centrais):

Império Alemão: A unificação tardia entre estados alemães (1871) atrasou a largada de Alemanha na corrida imperialista do século XIX. Apesar do estágio avançado de Industrialização, a Alemanha conquistou poucas colônias na África e Ásia. Além disso, a recém formada Alemanha pretendia rivalizar com a Inglaterra no comércio marítimo.
Itália: Assim como a Alemanha, a Itália também promoveu uma unificação tardia (1866). Esse fato aproximou os dois países que se aliaram na busca por mais colônias. As vésperas da primeira guerra, um acordo de ajuda mútua entre Itália e Alemanha foi assinado, no entanto, assim que a guerra começou a Itália se manteve neutra, ignorando o acordo.
Império Austro-Húngaro: A aliança entre Alemanha e Áustria-Hungria explica-se pela necessidade de estabilização da recente unificada Alemanha.

Tríplice Entente:

Grã-Bretanha: Maior império neocolonialista, a Grã-Bretanha pretendia manter sua hegemonia na África, na Ásia e no comércio marítimo. Reconhecendo ao interesses alemães de superar o Império Britânico, a Inglaterra se alia a França formando a Tríplice Entente (acordo) em 1904.
França: Além do interesse em manter seu império na África e Ásia, a França despertou um sentimento revanchista após o fim da guerra franco-prussiana (1871). Assim, a França passou a fazer vários acordos com países rivais da Alemanha. Em 1891, um acordo (entente) foi firmado entre França e Rússia. Em 1904, com a Inglaterra. Ambos os acordos visavam impedir o avanço industrial e imperialista alemão.
Rússia: O Império Russo, buscava acesso ao mar mediterrâneo para só então conquistar colônias na África, para isso, precisava controlar a região dos Balcãs que estava sob a influência do Império Austro-Húngaro (Aliança). Além de acordos com a França, em 1907 a Rússia firma um acordo com a Inglaterra, finalizando a formação da Tríplice Entente.

O Estopim da Guerra

Francisco Ferdinando e sua esposa, momentos antes de ser assassinado
(Sarajevo, Bósnia-Herzegovina, 1914)
A Crise dos Balcãs: O sentimento nacionalista na Sérvia gerou um ideal de construção de uma Grande Sérvia que deveria unir os sérvios aos bósnios, croatas e eslovenos. Além disso, a Rússia fomentou um movimento na região conhecido como Pan-eslavismo, que queria unir os povos eslavos (povos da Península Balcânica e da Europa Oriental) sob a proteção da Rússia. No entanto, grande parte da região estava sob a tutela do Império Turco-Otomano e do Império Austro-Húngaro. Ainda no século XIX, a Rússia conseguiu afastar o domínio turco sobre a região fomentando várias rebeliões nos Balcãs, no entanto, a Bósnia-Herzegovina continuava sob o domínio do Império Austro-Húngaro, frustrando o Ideal nacionalista sérvio.
O Assassinato do Príncipe: No dia 28 de junho de 1914, o príncipe herdeiro do Império Austro-Húngaro, o Arquiduque Francisco Ferdinando, visitou o governador da Bósnia-Herzegovina, em Sarajevo, capital do país. Após o encontro, o príncipe foi assassinado por um ativista do movimento pela Grande Sérvia. Em resposta ao atentado, o Império Austro-Húngaro declarou guerra à Sérvia. Defendendo seus interesses pan-eslavistas, a Rússia, declarou guerra ao Império Austro-Húngaro iniciando a primeira guerra mundial. Em poucos dias, como em um efeito dominó, os países da Tríplice Entente e da Tríplice Aliança estavam em guerra.

As Fases da Guerra

1ª Fase: Guerra em MovimentoO início da guerra foi marcado por um intenso movimento de tropas. A Alemanha pretendia invadir rapidamente a França, para evitar as defesas francesas posicionadas na fronteira os alemães invadiram a Bélgica, que até então havia se declarado neutra. A tática alemã deu certo e os alemães chegaram próximos à Paris, capital francesa. Entretanto, com a ajuda da Inglaterra, os franceses conseguiram impedir o avanço do exército alemão iniciando a fase entrincheirada da guerra.

 2ª Fase: Guerra de Trincheiras: 
 Soldados Australianos (Grã- Bretanha) usando
máscaras na Trincheira
(Ypres, Bélgica, 1917).

Trincheiras: Rede de valas cavadas no solo, onde os soldados se protegiam dos tiros e dos bombardeios inimigos. As trincheiras eram usadas para firmar posições e desgastar os inimigos, porém, a pouca movimentação deu um caráter estático à guerra.
Frente Ocidental: Do lado ocidental a guerra se desenvolvia principalmente nos territórios da Bélgica, França e Suiça, porém, devido as trincheiras, os avanços pela terra eram muito limitados. Assim, as principais batalhas ocorriam pelo mar, protagonizadas por Alemanha e Inglaterra e com novas tecnologias marítimas, como os encouraçados e submarinos.
Frente Oriental: No oriente, um exército russo mal preparado e mal equipado sofria pesadas derrotas para a Alemanha. Além disso, uma crise política, social e econômica agravava a situação dos russos.
Desenvolvimento Bélico (armas): Entre o inicio da Corrida Armamentista e o fim da Primeira Guerra, várias armas letais foram inventadas e utilizadas, como, por exemplo, as metralhadoras, os lança-chamas e as granadas de mão modernas. Gases venenosos como o Cloro e o Mostarda foram utilizados contra soldados e civis durante a guerra. Os aviões substituíram os dirigíveis nos bombardeios por serem mais rápidos. Os submarinos se tornaram uma possibilidade no inicio do século XX e foram muito utilizados pela Alemanha e Inglaterra. Por fim, os primeiros tanques de guerra também foram criados e tiveram uma importante contribuição para o fim da guerra de trincheiras. O uso dessas novas armas tornou raros os combates corpo a corpo.

Novas Alianças: Durante a guerra as alianças mudaram com a entrada e a saída de países da guerra.
Sérvia (Entente): Por razões obvias a Sérvia se alia a Entente assim que a guerra começa em Julho de 1914.
Japão (Entente): Desejando conquistar as colônias alemãs na china, o Japão declara guerra à Alemanha em 1914.
Bélgica (Aliança): Após ser derrotada de surpresa pelos alemães, a Bélgica foi forçada a auxiliar a Aliança ainda em 1914.
Império Turco-Otomano (Aliança): Em 1915, a Alemanha se aproveitou das rivalidades do Império Turco-Otomano com a Rússia para convencê-lo a entrar na guerra ao lado da Aliança.
Bulgária (Aliança): Em 1915, a Bulgária entra para a Aliança visando combater as intenções russas sobre os Balcãs.
Itália (Entente): Apesar dos acordos firmados com a Alemanha, França e Inglaterra convenceram a Itália a mudar de lado em troca da promessa de territórios em 1915.
Romênia (Entente): Desejando territórios do Império Austro-Húngaro (Transilvânia), a Romênia entra para a Entente em 1916. No entanto, o exército Romeno era mal preparado e treinado, transformando o país mais num fardo do que em um aliado da Entente.
Portugal (Entente): Querendo defender suas colônias na África e honrar alianças com a Inglaterra, Portugal decide entrar para a Entente em 1916.
Grécia (Entente): As tentativas da Aliança em intervir na Grécia causaram uma reação grega à Alemanha e ao Império Austro-Húngaro, assim, em 1916, a Grécia se une a Entente.
Império Britânico e Frances: Durante todo o período de guerra, Franceses e Britânicos contaram com a ajuda de soldados que vieram das colônias africanas e Asiáticas desses países. Portanto, vários destacamentos eram compostos por Indianos, Africanos, Canadenses, Australianos, etc. Por questões raciais, os países da Aliança se recusaram a utilizar soldados das colônias, pois, de acordo com eles, eram “primitivos” e não conheciam “honra militar”.

3ª Fase: Nova Guerra em Movimento:
"Tio Sam", cartaz convocando soldados para lutar na
Primeira Guerra Mundial por John Flagg (1917).

EUA (Entente): No inicio da guerra os EUA manteve uma postura neutra ao passo que mantinha relações comercias com os dois lados. Entretanto, a medida que a guerra avançava os EUA se posicionavam cada vez mais ao lado da Entente, tentando fortalecer o bloco para garantir o retorno de seus investimentos. Em 1917, a Alemanha adotou a postura de afundar todos os navios que levassem armas e alimentos para os países da Entente, portanto, após afundar navios americanos, os EUA assumiram sua postura pró Entente oficialmente, declarando guerra a Alemanha e seus aliados. A entrada dos EUA na guerra representou uma grande ajuda para a Entente, pois, contavam agora com novos recursos financeiros, bélicos e humanos para continuar na guerra.
Brasil (Entente): No inicio do século XX o Brasil pautava sua economia na exportação do café. Assim, para agradar seu maior cliente (os EUA que compravam cerca de 60% do café brasileiro), o Brasil também aprofundou relações com os países da Entente. Assim, como os navios americanos foram afundados por Alemães, também foram os navios brasileiros, levando ao Brasil a declarar guerra à Aliança em 1917. Na guerra, o Brasil enviou medicamentos e assistência médica, além disso participou de patrulhas marítimas no oceano Atlântico.
Rússia (Fora da Guerra): Desgastada com as constantes derrotas e em meio a uma grave crise política, econômica e social, a Rússia entra em um processo revolucionário que instaurou o socialismo no país (Revolução Russa de 1917). O novo governo russo, portanto, assina um tratado de paz com a Aliança, concedendo alguns territórios para a Alemanha.
O Ataque a Frente Ocidental: Com a saída da Rússia, a Aliança ficou confiante de sua vitória. Em 1918 a Alemanha organizou um grande ataque sobre a Entente que supostamente acabaria com a guerra. Com esse ataque, a Aliança conquistou vários territórios, porém, não conseguiu quebrar as defesas Britânicas e Francesas. Com o apoio dos EUA, a Entente realiza uma grande contraofensiva que praticamente elimina os demais países da Aliança.
A República de Weimar: Com a derrota de países da Aliança e da grande ofensiva sobre a frente ocidental, o Império Alemão mergulhou numa profunda crise. Rebeliões no exército, greves operárias e a falta de alimentos levaram o rei Guilherme II a renuncia. O novo governo sediado na cidade de Weimar, região central da Alemanha, proclamou a república e se rendeu à tríplice Entente no dia 11 de Novembro de 1918.

Os Tratados de "Paz"

"Assinatura do Tratado de Versalhes no Salão dos Espelhos"
por William Orpen (1919).
O saldo trágico da Primeira Guerra: Calcula-se que cerca de 10 milhões de pessoas morreram em decorrência da guerra, 20 milhões saíram da guerra mutilados e incontáveis órfãos e refugiados sobreviveram à guerra. Os números chocaram a sociedade ocidental, pois, nunca antes na história tantas mortes foram contabilizadas em uma única guerra. A destruição da Europa provocada pela guerra garantiu uma rápida ascensão das ideologias fascistas e comunistas vistas por partes da população como as soluções dos problemas europeus. Os EUA se aproveitaram da crise européia para crescer sua importância no cenário mundial, se tornando a maior potencia econômica, política e militar do mundo capitalista.
Os 14 pontos de Wilson: Ainda em 1918, o presidente dos EUA Woodrow Wilson, propôs uma “paz sem vencendores”, onde nenhum país deveria ser penalizado pela guerra. Entretanto, Inglaterra e França não aceitaram a proposta do presidente americano, impondo outro tratado em 1919. Além da paz sem vencedores, os 14 pontos de Wilson, propunham a criação de um órgão de segurança mundial que tinha o objetivo de manter a paz entre os países arbitrando conflitos. Esse órgão foi construído em 1919 e se chamou Liga das Nações que anos mais tarde passaria a se chamar Organização das Nações Unidas (ONU).
O Tratado de Versalhes: A cada um dos países derrotados na primeira guerra mundial, foi imposto um tratado que os obrigava a ceder territórios e/ou pagar indenizações. Porém, entre esses tratados, de “paz” o mais agressivo foi formulado para a Alemanha, o Tratado de Versalhes de 1919. O tratado colocava a Alemanha na posição de principal culpada pelas atrocidades cometidas na Primeira Guerra e obrigava a Alemanha a:

  • Devolver a região da Alsácia-Lorena para a França, região conquistada pela Alemanha ao fim da Guerra Franco-Prussiana de 1871.
  • Ceder todas as suas colônias aos vencedores da guerra.
  • Entregar para a França os direitos de exploração sobre o carvão na bacia do rio Sarre.
  • Pagar aos adversários uma indenização de 33 bilhões de dólares.
  • Proibia a militarização na Alemanha e o desenvolvimento industrial bélico.


sexta-feira, 1 de abril de 2016

Prof. Glauber - Neocolonialismo e Imperialismo (Atividade dos 3º Anos)

1)      O Texto a seguir refere-se à África no século XVIII. Leia-o com atenção.
Em termos sumários, destacaremos alguns reinos ou impérios do período. Na região da Guiné, [...] os reinos Futa e Tucolor; no Alto Volga, os reinos Uagadu e o Yatenga; Na Costa do Ouro, os reinos Dagomba e Ashanti; na Costa do Benin, os reinos Daomé e o Iorubá; na Bacia Zairense, os reinos Kuba e o Lunda; no Sul da África o Zulu. [...]
[...] Encontraremos nestes reinos centralização política, governadores de província, ministros, a noção de soberania (dima, no Yatenga), eleições, organização fiscal e diplomática, etc, que nos permitem afirmar que estamos tratando com verdadeiras organizações políticas no sentido exato do termo.
Ana Monica Lopes e Luiz Arnaut. História da África: Uma Introdução.
Belo Horizonte: Crisálida, 2005. p. 60-61.
Com base no texto, pode-se dizer que os africanos eram “primitivos”, como diziam os europeus que chegaram à África no século XIX? Justifique.

2)      Identifique a alternativa incorreta e corrija-a. Ao se lançarem na corrida imperialista em direção à Ásia e África, na segunda metade do século XIX, os europeus pretendiam conseguir:
a.      Oportunidades de investimentos para seus capitais.
b.     Mercados produtores de matérias primas (carvão, ferro e cobre).
c.      Mercados consumidores de produtos industrializados.
d.     Ouro e mercúrio existentes nas terras da Oceania.


segunda-feira, 21 de março de 2016

Prof. Glauber - Neocolonialismo e Imperialismo do Século XIX (Material de Estudos para os Terceiros)

Neocolonialismo e Imperialismo do Século XIX

A Segunda Revolução Industrial

1ª Revolução Industrial: No século XVII, a Inglaterra promoveu duas grandes revoluções, a Revolução Puritana (1640) e a Revolução Gloriosa (1688). Com essas revoluções, a Inglaterra resolveu seus problemas com o absolutismo e colocou a burguesia no poder. A partir do século XVIII, a monarquia parlamentarista passou a priorizar o lucro individual e o desenvolvimento industrial.  Os novos investimentos aliados a posição insular (ilha), ao êxodo rural (cercamentos) e ao desenvolvimento de novas tecnologias (maquina a vapor) permitiram a Inglaterra promover a Primeira Revolução Industrial.
2ª Revolução Industrial: O grande desenvolvimento do capitalismo e da burguesia por toda a Europa expandiu a industrialização para toda a Europa, Eua e Japão. Essa expansão que vai além das fronteiras do Império Britânico ficou conhecida como Segunda Revolução Industrial.
Europa: O sucesso da burguesia inglesa com a industrialização despertou o interesse da classe em todas as regiões do mundo. Cada país europeu promoveu a sua maneira a revolução industrial, alguns em meio ao absolutismo, outros em meio a processos revolucionários. Entre os países da Europa continental a França ganha destaque. A burguesia francesa finalmente se estabiliza no poder com o Império Napoleônico (1799 – 1815) e cria as condições necessárias para o seu desenvolvimento industrial.
EUA: Após o fim da Guerra de Secessão (1861 – 1865), os EUA deram um grande salto no seu processo de industrialização. Com a vitória, o norte industrializado impôs seu projeto modernizador que aboliu a escravidão, amparou a produção agrícola e industrial, estimulou a imigração e incentivou a ocupação do oeste.
Japão: Até a segunda metade do século XIX, o Japão era governado pelos Xoguns que priorizavam a supremacia da cultura japonesa e o feudalismo samurai. A partir de 1868, uma revolução acabou com o xogunato e iniciou a Era Meiji (Era das Luzes). Com grande influência dos EUA, o Japão procurou se modernizar, investindo pesado na industrialização, na criação de infra-estrutura e na educação.
Desenvolvimento do Capitalismo: Até meados do século XIX as indústrias tinham caráter familiar e cresciam de acordo com seus próprios investimentos. Esse período é conhecido como Capitalismo Industrial. Porém, a partir de 1880, com o surgimento de novas tecnologias, a necessidade de investimentos aumentou e a produção familiar já não era suficiente. Com ajuda das instituições bancárias, criou-se um sistema de financiamentos e de mercado de ações. Começava a era do Capitalismo Financeiro. A nova política de investimentos garantiu ao período uma forte aceleração industrial.
Novas Tecnologias: Durante o século XVIII, a mecanização da produção foi impulsionada pela invenção das máquinas a vapor (James Watt, 1777). Durante o século XIX, novas tecnologias e fontes de matéria prima impulsionaram ainda mais o processo industrial.
o   O Aço: O aço é um liga metálica formada essencialmente por carbono e ferro, que é mais maleável e resistente, no entanto até a segunda metade do século XIX, a produção do aço era muito cara, limitando seu uso industrial. Em 1856, o engenheiro e inventor Henry Bressemer descobriu uma forma de facilitar e baratear a produção de aço. Até hoje o aço é uma das ligas metálicas mias utilizadas pelas indústrias.
o   Petróleo: Registros históricos mostram que o petróleo é utilizado desde a Pré-História. Civilizações antigas usavam o petróleo para pavimentar estradas, calafetar construções e iluminar casas. No império Romano, a petróleo era usado em flechas incendiárias. Em 1850, o químico escocês James Young desenvolveu o refino de petróleo a partir do carvão mineral e do xisto. Desde então, o petróleo foi progressivamente substituindo o carvão mineral em vários processos industriais.
o   Motor de Combustão Interna: Em 1858, o engenheiro Belga Étienne Lenoir inventou o primeiro motor a combustão interna que transformava energia térmica em energia mecânica. Durante a década de 1870 o motor foi aperfeiçoado e passou a ser fonte motriz de varais máquinas e equipamentos. Inicialmente, os motores usavam gás natural. Aos poucos a combustão passou a funcionar a base da gasolina e óleo diesel (petróleo).
o   Dínamo: Inventado em 1871 pelo inventor belga Zénobe Gramme, o dínamo era capaz de transformar a energia mecânica em energia elétrica. No inicio do século XX a eletricidade popularizou-se e passou a ser cada vez mais utilizada nas fábricas, nos transportes e na iluminação pública.
o  O Automóvel: Entre os séculos XVII e XIX, vários inventores buscaram adaptar a máquina a vapor a carruagens buscando revolucionar o transporte. No entanto, somente após a invenção do motor a combustão interna que a construção do automóvel foi possível. Em 1885, O alemão Karl Benz (Mercedes-Benz) conseguiu adaptar uma carruagem ao motor de combustão criando assim o primeiro automóvel moderno.
o  O Telefone: a invenção do telefone é geralmente atrubuida ao escocês Alezander Graham Bell que patenteou a invenção em 1876. No entanto, o telefone foi inventado pelo italiano Antonio Meucci em 1860. A Invenção facilitou a comunicação entre povos e a circulação de informações.
·  A Concorrência Industrial: A expansão da Segunda Revolução Industrial gerou uma grande concorrência entre grandes e poderosas empresas. Dessa concorrência resultaram a formação de cartéis, trustes e holdings. As associações empresariais formaram grandes Oligopólios que se transformaram em empresas transnacionais.
o    Truste: Associação de empresas de um mesmo ramo que se fundem com o objetivo de controlar os preços, a produção e o mercado.
o   Cartel: Agrupamento de empresas independentes que estabelecem acordos ocasionais com o propósito de dividir o mercado e combater os concorrentes.
o    Holding: Empresa que controla uma série de outras empresas, do mesmo ramo ou de setores diferentes, mediante a posse majoritária das ações dessas empresas.
o   Oligopólios: Damos o nome de oligopólio a uma situação, na economia capitalista, em que poucas empresas têm o controle da maior parte do mercado.

o    Transnacionais: Grandes empresas com filiais em diversos países.

O Imperialismo e o Neocolonialismo

Disputas por Colônias e Áreas de Influência: A partir de 1880, as grandes potências capitalistas dividiram entre si a maior parte das terras do pleneta. Grã-Bretanha, França, Bélgica, entre outros, protagonizaram uma expansão colonial em terras da África e da Ásia. A essa fase do desenvolvimento do capitalismo ficou conhecida como Imperialismo ou Neocolonialismo.
Oportunidades de Investimentos: As formações dos oligopólios europeus criaram grandes riquezas para os industriais que buscavam espaços para ampliar seus investimentos. Assim, África e Ásia representavam um possibilidade para a aplicação de capitais excedentes em obras como, por exemplo, a construção de ferrovias.
Mercados Produtores de Matérias Primas: As novas colônias também representavam uma nova fonte de matérias primas como carvão, petróleo, ferro e cobre., essenciais para o desenvolvimento industrial.
Mercados Consumidores de Manufaturados: O principal fator que motivou a expansão das grandes potências capitalistas foi a busca por novos mercados. Na Europa, o crescimento industrial provocou uma concorrência acentuada e a queda nos preços, levando muitas empresas à falência.
Ouro e Diamante: A África sempre foi reconhecida pela riqueza de suas pedras preciosas. O ouro e o diamante africanos também atraíram o imperialista europeu, que via na exploração desses recursos uma possibilidade de enriquecer.
Rápida Expansão: O neocolonialismo foi realizado em uma velocidade espantosa. Em 1880, quando o neocolonialismo foi iniciado, 10% da África estava sob controle dos europeus. Boa parte desses 10% ainda era reflexo do colonialismo dos séculos XV e XVI. Em 1890, 90% das terras africanas já estavam sob domínio europeu.

Teorias Racistas do século XIX

“O Fardo do Homem Branco”: O neocolonialismo era visto como uma missão civilizadora para os homens europeus. O europeu considerava todos que viviam fora da europa como populações atrasadas que precisavam do homem branco para ajudá-las a se desenvolver.
o       “Tomai o fardo do homem branco! / Acabaram-se seus dias de criança / O louro suave e ofertado / O louvor fácil e glorioso / Venha agora, procura sua virilidade / Através de todos os anos ingratos / Frios, afiados com a sabedoria armada / O julgamento de sua nobreza”.  Trecho do poema “o fardo do homem branco” de Rudyard Kipling, publicado em 1898.
·   Racismo Científico: A ciência européia buscava explicar a “superioridade da raça branca européia” sobre as demais populações do mundo. Uma dessas teorias envolvia a craniometria, pesquisa que dizia ser o humano tão mais inteligente quanto o tamanho do seu crânio. AS teorias racistas continuaram a ser desenvolvidas mesmo após o fim do período neocolonialista e foram usadas por Hitler para justificar a superioridade da raça ariana anos mais tarde.
Justificativa para o Imperialismo: As teorias científicas racistas e o pretenso “fardo do homem branco” serviam às potências capitalistas como justificativa para sua exploração sobre as demais regiões do mundo.

A Conferência de Berlim (1885)

Tensões na Europa: A corrida Imperialista gerou muitas tensões entre os países europeus e sua empresas. Algumas potências queriam manter seu império (como Grã-Bretanha e França) enquanto outras queriam expandir suas posses (como Alemanha e Itália).
Conferência de Berlim (1885): Para aliviar as tensões na Europa, os países imperialistas propuseram uma conferência com o objetivo de aliviar as tensões e estabelecer as regras para a prática imperialista.
A Partilha Afro-Asiática: Ao fim da conferência, a África foi partilhada entre os países imperialistas, no entanto, França e Inglaterra continuaram com a maior parte das terras, mantendo as tensões na Europa.